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1 de maio de 2012

Porque escrever ?


Quem escreve, a principio escreve pra si mesmo, e num segundo momento quando divulga o que escreveu almeja que seja lido, deseja passionalmente que suas palavras se comuniquem com o  outro lado, com o leitor. 

Em tempos onde a palavra de ordem é “interatividade” e todo mundo está interligado através das redes sociais, saber se expressar é algo tão desejável quanto uma boa aparência. E utilizamos tudo ao nosso alcance, comecei com o face e com o orkut, mas hoje bandeio para os lados do blogspot, linkedin, slideshare, youtube, flicker, sites, etc...


Em meu blog eu tento escrever para dar ao mundo uma visão que é peculiar e comum ao mesmo tempo.  É uma forma de expressão, de desabafo, de apoio, de cuidado, de externação e arte.

Nossas opiniões na maioria das vezes são formadas pelo ambiente e as pessoas com quem convivemos e também através do que lemos e assistimos. Essa influencia vem de maneira intensa, poderosa e feroz de modo a criar um novo eu a cada dia.


É da natureza humana refletir, pensar, analisar e criar sempre uma opinião própria a respeito daquilo que seus olhos vem, sua pele sente e sua boca prova. Essa mistura de sensações provoca uma verdadeira inquietude que as vezes pode até assustar (isso é normal).
O ser humano muitas vezes é dominado pelo medo, porém é liberto pela sabedoria, uma mente expandida nunca volta ao que era antes. Isso é fantástico. Sempre, sempre, sempre podemos ressignificar as coisas...

É dessa sopa de letrinhas, de gerações, de egos e de almas que o caldo da vida se faz! E como é bom poder saborear e evoluir se atualizando com o conhecimento que surge eternamente na infinita novidade que é esse mundão.

Obrigado a todos que contribuem diariamente para isso!


24 de março de 2012

Farinha do mesmo saco



Outro dia um amigo falou pra outro de mim e da mari assim: "Ah esses dois!" ...só isso, num tom carinhoso e com um pequeno suspiro no final. 
Acho que isso reflete bem o que to sentindo no momento: Eu e a Mari somos assim, farinha do mesmo saco, cheiro de café marcante, luz da mesma estrela, degrau da mesma escada. 
Somos tão parecidos que ás vezes parece até que somos irmãos, não fisicamente, não, isso não, mas porque nos entendemos tão bem. E também somos tão diferentes que alguns podem acreditar que estamos em sintonias totalmente distintas, mas isso também não é verdade, isso se chama complemento.
Embora saibamos que a vida a dois não é fácil, fico orgulhoso de sermos um casal assim. Dos invejosos já ouvi absurdos do tipo: "Que grude esses dois"! Somos assim, romanticos, meio bobos, meio loucos! Mas deixemos isso pra lá!
A verdade é que não se sabe onde termina um e onde começa o outro. Nossas frases surgem juntas e misturadas formando um único pensamento, que só nós conseguimos distinguir o que é de cada um. As vezes a conexão é perfeita, as vezes apocaliptica.
Os desejos da mulher/leoa colorem as palavras do homem/poeta. Seria clichê dizer que um completa o outro, mas fazer o quê se é isso mesmo. A razão de um sobressai sobre a emoção do outro e vice versa.
Eu sou o sumo e a mari é a polpa, misturadas nossas essências, que refrescante suco dá! A sensibilidade infinita do coração dela diluída na desvairada loucura que carrego. Um preenchendo os espaços vazios do outro com cores brilhantes. Eu, iluminado pelo sol , ela refletindo a lua . Ese contraponto nos torna fortes para as batalhas diárias. Somos dois ao mesmo tempo em que somos um, uma curiosa peculiaridade daquilo que chamamos de afinidade. 
Teria Deus concedido esse encontro porque merecemos? Talvez sim se considerássemos os outros tantos desencontros que já tivemos. De mãos dadas continuemos a caminhada que é ardua e linda todos os dias.


29 de fevereiro de 2012

Drácula


Sempre me questiono quando vejo uma amiga bonita, interessante, legal, inteligente, sexy, divertida (ora com todas as qualidades ora com algumas dessas pelo menos) solteira, sendo dispensada por um zé mané. Isso mesmo, sendo largada de novo e de novo por um carinha  qualquer.
Também vi alguns amigos muito bacanas, namorando meninas fúteis, sem graça, e com inteligencia que poderia ser classificada entre um gorila e um orangotango. Que coisa né!

Isso sempre me intrigou, pois meus amigos sempre reclamam que não encontram mulheres para namorar e as mulheres também dizem a mesma coisa. Tá na hora de apresentar essa galera. Mas após algumas observações é possível detectar alguns comportamentos bastante similares que podemos descrever como síndrome de Drácula.

Síndrome de Drácula é quando a pessoa ao se relacionar com seu parceiro, o sufoca, suga suas forças e consome toda sua energia, pouco a pouco, mas ao contrário do impiedoso Vladimir Dracul, que ficou conhecido pela sua crueldade, seu jeito frio de lidar com os inimigos, não sabe que isto está acontecendo. Vai matando a vitima, que na verdade é o próprio amor sem perceber que o sangue está jorrando.

Como o grande Vampiro, a vitima é seduzida, pelo seu charme, seu jeito encantador de olhar, de tocar, tem todos aqueles momentos que cheiro é cheiro, beijo é gosto, pele é química e isso leva a prova, não metafórica, mas literal, palavra por palavra, beijo por beijo, ao vivo e sem cortes, sem censura. A paixão é arrebatadora e como numa cena de Bram Stoker começam a aparecer muitas névoas, começa um processo de hipnose onde a realidade é desorientada...acontece.

Essa áurea de magia e encanto é linda, quase vencedora de um Oscar, mas com o passar do tempo as máscaras caem, os dentes proeminentes se destacam cada vez mais e a mordida está próxima, um sangue será derramado, aliás, muito sangue será derramado, assim como lágrimas que virão na sequencia. A grande diferença é que ninguém ganha no final. Ninguém sobrevive a isso

Tomara que todos encontrem no caminho o verdadeiro Van Helsing com sua estaca de madeira, para libertar esse dilema, esse carma que as vezes não quer ir embora, tem que tomar rumo certo, parar de chupar o sangue alheio e tomar gosto pelo amor, pela liberdade de viver junto, para o outro sem depender do outro. Tudo na vida é escolha, todos nós escrevemos a nossa maneira e sempre tem alguém dando sopa por aí esperando ser a breve introdução, prefácio ou quem sabe um belíssimo capítulo. Depende do desenvolver do texto e de como o personagem vai afetar o autor.

25 de janeiro de 2012

Direito à Tristeza



Tristeza é um sentimento humano que expressa desânimo ou frustração em relação a alguém ou algo. A tristeza pode causar reações físicas como depressão, choro, insonia, falta de apetite, e ainda, reações emocionais, como o arrependimento. Essa definição é tão fria quanto a própria tristeza, é pálida, é sombria e quase desumana, isso mesmo, eu disse "quase", pois como diz o poeta, tristeza não tem fim, felicidade sim.

Esse post é pra lembrar desse sentimento que atinge a todos de diversas maneiras com as mais variadas intensidades. Outro dia conversei com uma amiga que na maioria das vezes a vejo super sorridente, ela é simpática e muito amigável. Apesar do seu largo sorriso, eu sempre vi que em seu olhar tinha um Q de tristeza, um reflexo de lágrima que teimava em não sair, fez do coração a sua moradia e tá complicado de sair.

Agora após uma conversa, ela se abre e conta de uma situação complicada que vive junto a família, e todos nós sabemos, o quanto é delicado a relação entre parentes e após ela desabafar, consegui entender sua dor tão contida e aprisionada. Na hora, sinto que é uma missão ajudá-la, devo oferecer piadas, conselhos, frases de efeito para que o sorriso volte... mas pensando bem ... não é isso que devo fazer não. Se a pessoa externou é que ela quer mante-la, aproveitá-la, aprender ouvindo de si mesmo aquelas palavras que no fundo machucam tanto. Faz parte da vida.

De lá pra cá, comecei a lembrar de várias conversas com outros amigos e não vi a sutileza do olhar dizendo: "ei, me escuta, tenho algo importante para partilhar" , mas não dei espaço, não fui um bom ouvinte, fazendo com que o parceiro se mantivesse distante, duro, e aprisionado naquele momento. Ou de uma maneira estúpida, só consegui fazer piadinhas. Só posso pedir desculpas nesse momento, do fundo do meu coração.

Sei o quanto é importante falar, abrir o coração nos momentos de dor e quero poder ser um ombro amigo, um alento para os que me cercam. Quero poder transmitir o entusiamos e acolhimento através do abraço e do olhar.   Não irei motivá-los, apenas os escutarei e deixarei que a tristeza tome conta do ambiente o quanto a pessoa quiser.  Não to ficando maluco, tenho certeza que muitas vezes as pessoas não querem sair do estado de tristeza, é um momento para ser vivido, mesmo que essa dor pareça estar arrancando as entranhas. Faz parte do aprendizado e digo mais: É bom também!

Acredito que as pessoas, os ambientes, os fatores externos, os acontecimentos, podem ser um apoio para o seu estado de alegria, mas nunca farão de você alegre se deseja ser triste, porque tristeza e alegria são realidades mentais, e só você tem livre acesso à sua mente. 
 
Foi você que criou a sua melancolia, envolvendo-se e fixando-se nos fatos desagradáveis que ocorreram. Desagradáveis porque você assim os chamou. Se não desse nome e nem lhes desse importância alguma, nem sequer estariam ocupando espaços da sua mente. 
Há pessoas que se desesperam, porque os ovos de galinha caíram e se quebraram; outras há que aproveitam os ovos quebrados, e fazem uma gostosa omelete. 

Só você pode fazer-se feliz, pode ter a coragem de mudar, de tentar algo novo, e de novo, de ir atras dos sonhos, da pessoa amanda, enfim... p
or mais comprida que seja a noite, uma coisa é certa, o amanhecer chegará

14 de janeiro de 2012

Afetividade Torta

Acho que o maior problema dos relacionamentos contemporâneos é da ordem gastronômica. Da forma como eu vejo - e talvez esteja influenciada pela fome da madrugada - as pessoas são como grandes tortas de sabores variados. Algumas a gente bate o olho e já sabe que vai gostar, às vezes só pelo cheiro. Outras vezes, a gente segue a intuição e só depois descobre que é alérgico a nozes, ou pior, que a torta em questão curte sertanejo universitário.
Mas, ao contrário do que você possa estar pensando, o problema dos relacionamentos contemporâneos não reside no fato de que somos tortas gigantes. Tortas são bonitas e gostosas, na grande maioria das vezes - exceto nas festas de aniversário em escritórios no centro da cidade. A tristeza da coisa está na constatação de que estamos vivendo uma espécie de comidaaquilorização da afetividade. Isso significa que, devido a alta oferta de tortas no mercado, ninguém consegue se focar em apenas um sabor.
O que temos hoje é uma porção de tortas sendo vorazmente garfadas e deixadas de lado, aos pedaços, disformes, tristes. Todo mundo quer um pedacinho de torta, uma fatiazinha fina do tipo "estou-de-dieta-não-quero-muito". Tem sempre alguém querendo dar uma mordiscada, uma lambidinha, uma passadinha de dedo marota. O que ninguém quer - ou tem coragem de fazer - é arriscar e levar a torta inteira para casa.
E essa é a grande lástima da nossa geração. Estamos acostumados a tirar lasquinhas de várias sobremesas e levar à balança do restaurante para pesar. É a insustentável leveza da torta mousse de chocolate e do cheesecake de framboesa. Estamos acostumados a ter muitas, muitas opções de comida. E de pessoas. Conheço gente que tem mais de 1.000 amigos no Facebook. Como se alguém fosse fisicamente capaz de ter mil amigos.
E qual é o resultado disso? Tortas garfadas e destroçadas, sem lugar cativo na geladeira de ninguém, vagando por aí, pelas noitadas, pelas festas, tristes, tortas. E, pouco a pouco, elas vão perdendo a doçura. Vão se tornando descrentes, azedas, estragadas pelo ataque dos garfos despretensiosos.
Somos tortas. Claro que somos comidas. Mas o que eu queria mesmo era experimentar a sensação de ser a preferida de alguém. Aquela que é levada dentro do pacote - o pacote completo, com todos os defeitos e qualidades, com todas as garfadas sofridas, com tudo aquilo que faz de mim a torta gigante que eu sou. Estou farta de me pedirem pedacinhos. Quero ser levada por inteiro.

Esse texto é da adorável psicotica Nathalia Klein, ela tem um blog e um sitcom no Multishow. Esse texto reflete bem os relacionamentos contemporaneos. Gostei da analogia.